Desde o início da pandemia, tem havido uma escassez global de chips que afeta o setor de tecnologia e eletrônicos em diversos países. E com a guerra na Ucrânia, as forças armadas russas têm menos acesso ainda a estes chips, como consequência das sanções estabelecidas por grandes potências ocidentais. Seis meses após a primeira invasão à Ucrânia, que ocorreu em fevereiro desse ano, a Rússia vem enfrentando um déficit tecnológico, já que não pode adquirir equipamentos eletrônicos com o embargo de importações, e está restrita ao uso de munições antigas da Era Soviética.

Algumas pessoas acreditam que a falta de acesso a chips de alta tecnologia pode marcar o desfecho da guerra. E o primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyhal, é uma delas, deixando claro que a escassez de produtos pode ser um fator decisivo para os resultados. “De acordo com as nossas informações, os russos já gastaram cerca de metade do seu arsenal de armas”, disse ele. Assim, a Ucrânia quer limitar a aquisição, e tem enviado alertas internacionais para seus aliados ocidentais, com o objetivo de evitar que russos obtenham o que precisam para continuar com a invasão.

Ukrainian soldiers standing atop of a burnt down russian tank

Lista de compras

O jornal europeu POLITICO com sede em Bruxelas, na Bélgica, recentemente publicou a “lista de compras” elaborada por Putin, com os microchips que o exército russo mais precisa para continuar com a invasão. Essa lista se divide em três categorias de maior para menor prioridade: importância crítica (1), importante (2) e baixa importância (3).

Dentre os produtos listados na lista estão semicondutores, conectores, isoladores, transformadores, invólucros e outros componentes que a Rússia costumava importar de empresas baseadas nos EUA, Holanda, Alemanha, Reino Unido, e de outros países. 

De acordo com o diretor do Open-Source Intelligence and Analysis Research Group, do centro de defesa e segurança britânico RUSI, James Byrne, este programa de aquisições militares é abrangente e bem financiado, com uma base militar e industrial enorme que produz o material necessário. Ele afirmou ao POLITICO que apesar desse poderio, eles “gastaram tanto na Ucrânia, que precisam de um grande volume de novos fornecimentos”. 

Com as sanções, a tarefa fica mais difícil e agora eles precisam priorizar elementos críticos, e por isso essa lista de compras foi divulgada, e com uma ordem de prioridade.

Sanções?

Mesmo com as sanções intensas do Ocidente, ainda se suspeita que Putin encontre maneiras de receber os componentes eletrônicos necessários para empoderar o seu exército. Isso porque, segundo o pesquisador de exportação de armas Diederik Cops, “assim que os chips saem da fábrica, é muito difícil saber com certeza onde eles irão parar”. Ele ainda disse ao POLITICO que entidades russas podem conseguir adquirir os bens que necessitam de diversas maneiras, como fazendo compras em mercados online não regulamentados e através de contrabando.

“Países como a Coreia do Norte e Irã construíram anos de expertise para lidar com sanções. A Rússia certamente vem se preparando para lidar com isso nos últimos meses”, disse Cops. Ele ainda relembrou a época da Guerra Fria, em que a Rússia aprendeu a criar esses canais de contrabando e a fazer parcerias com aliados e países vizinhos. A Rússia e a China compartilham uma fronteira de 4.300 km, e não há maneiras de detectar se os chips estão atravessando, apesar de não haver evidências que confirmem as suspeitas. 

Mesmo assim, Putin parece desesperado e com estoque baixo. Segundo divulgado ainda em maio, pela Secretária de Comércio dos EUA, Gina Raimondo, que a falta de acesso a semicondutores mais sofisticados já levou a Rússia a tirar microchips de geladeiras e máquinas de lavar para utilizá-los em seu equipamento militar, conforme informações fornecidas por oficiais ucranianos.

Além disso, o governo russo já está preparando novas propostas para incentivar empresas locais a produzirem os componentes altamente tecnológicos. As medidas envolvem a redução de impostos e no valor de seguros e aumento nos empréstimos e garantia de compras. Porém, isso já foi feito antes, e as medidas ainda não foram suficientes.

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